quinta-feira, 30 de julho de 2009

O Movimento Estudantil nacional faz história

Nasce a Assembleia Nacional de Estudantes - LIVRE (ANEL)

Texto: Ricardo Malagoli | Fotos: Kelly de Castro


Momento em que os mais de 2 mil estudantes presentes aprovaram a criação da ANEL.

Nada será como antes com a Assembléia Nacional dos Estudantes! Foi gritando essas palavras de ordem que às 11h30 da manhã do dia 14 de junho, nas dependências da faculdade de Educação Física da Universidade Federal do Rio de Janeiro, se fundou uma nova entidade estudantil alternativa à UNE (União Nacional dos Estudantes). Esta entidade recebeu o nome de Assembléia Nacional dos Estudantes – Livre! (ANEL).


Esse histórico fato ocorreu durante o Congresso Nacional de Estudantes (CNE), evento o qual o Diretório Acadêmico de Comunicação Social da Newton Paiva ajudou a construir e participou ativamente, levando quatro estudantes da faculdade como delegados e um recém-formado como observador. Entre os mais de dois mil participantes do congresso, foram inscritos 1.350 delegados eleitos em universidades e escolas secundaristas de todas as regiões do país, além de 419 observadores e 199 pessoas como colaboradores, convidados e palestrantes. Estes números consolidaram o CNE como o maior fórum estudantil de âmbito nacional já realizado por fora da União Nacional dos Estudantes (UNE).


O CNE teve a participação, entre outros convidados, do intelectual Paulo de Tarso Venceslau, um dos organizadores do congresso da UNE de 1968 que terminou com a prisão de 800 estudantes pela ditadura em Ibiúna, interior de Minas Gerais. Venceslau fez questão de manifestar seu apoio à iniciativa do congresso. “A UNE está na contramão da história, não faz mais resistência alguma às políticas neoliberais para a educação. É necessária uma reorganização do movimento para que ele volte a ser combativo e presente. O CNE é um espaço onde, a meu ver, isso pode se concretizar”.


Camila Lisboa, estudante de Ciências Sociais da Unicamp, defensora da tese “Outros maios virão”, apontou que o movimento estudantil já há alguns anos desenvolve processos de luta que demonstravam a necessidade de um Congresso como aquele: “Mas essa compreensão do movimento tem que se materializar na nossa forma de organização. Por isso nós achamos que é necessário que se funde aqui uma nova entidade. Na ANEL, estariam organizados grêmios, centros/diretórios acadêmicos, diretórios centrais de estudantes, executivas de cursos etc., tendo um funcionamento muito mais democrático do que hoje nos impõe a diretoria majoritária da UNE”, explicou.


De acordo com a estudante, embora a tese defenda a ruptura com a UNE, não serão afastados da ANEL setores combativos que ainda participam da entidade hoje governista: “A gente quer construir uma nova entidade no CNE e massificar essa construção em cada luta do movimento, estabelecendo diálogo com setores que ainda se iludem participando da UNE. Não queremos fechar as portas para setores lutadores importantes. A ANEL é uma alternativa, não uma condição”, reforçou.


Por que “livre”?


A ANEL foi criada como uma entidade que venha organizar e fortalecer as lutas do Movimento Estudantil sem a dependência política ou financeira ao Governo Federal e a partidos políticos. Sua intenção é aglutinar os mais amplos setores de lutadores e lutadoras do movimento estudantil de todo o país de forma democrática e unificada.


Leia a tese OUTROS MAIOS VIRÃO e entenda mais profundamente a proposta da ANEL:

http://www.congressodeestudantes.org.br/conteudo/Outros_Maios_Virao.pdf




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